Captulo 5
Concluso 
Como se v, pela apresentao inicial destes trs modelos tericos (psicanaltico-freudiano, cognitivista-
piagetiano e social-Bandura), h vrias maneiras de se conceituar o desenvolvimento humano. No h dvida 
de que estas Vrias maneiras decorrem de condies particulares vivenciadas pelos seus autores e pelo 
momento histrico-cientfico em que surgiram. 
O que se nota de altamente positivo numa apresentao diversificada de modelos tericos sobre o 
desenvolvimento humano  que. antes de se chocarem, eles se complementam. Assim  que, se o leitor se 
ativer a uma crtica de cada modelo, ver que so justamente seus pontos falhos que se realam pela 
apresentao seguinte, sem que ocorra uma destruio dos conceitos apresentados. Exemplificando: se a 
psicanlise no explica o desenvolvimento dos processos cognitivos, Piaget o faz. Se este por sua vez no 
explica o desenvolvimento emocional, a psicanlise o faz. E o modelo de aprendizagem social traz  luz 
explicaes sobre as implicaes dos processos de aprendizagem no desenvolvimento da personalidade. 
Parece ficar claro que, devido  complexidade do processo de desenvolvimento humano e  jovialiaade da 
cincia psicolgica. nenhum modelo isoladamente tenha chegado  compreenso profunda de todas as suas 
variveis. Poder um modelo positivista (como o de aprendizagem social) recusar terminantemente a influncia 
dos aspectos inconscientes? No estariam estes mascarados sob o nome de variveis intervenientes? Poder a 
psicanlise (atualmente e no na poca em que Freud apresentou seus escritos) desmerecer da influncia dos 
fatores de aprendizagem e de presso social no sentido da emisso de determinados tipos de respostas 
comportamentais e nau outras? Poder um indivduo ser feliz sem atender s exigncias ambientais? A cognico 
est realmente a servio de processos inconscientes? Ser que urna teoria cognitivista, como a piagetiana, 
pode realmente ser tomada como indicativa das diretrizes 
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hasicas de todo o desenvolvimento? So dvidas que certamente surgiro ao leitor srio e critico. 
A impresso que nos resta  i de que, qualquer que seja a linha mestra que nos parea mais razovel, restaro dvidas de 
inegvel valor cientfico. Sim, porque e nossa crena e nossa convico de 
(lu, justamente por estarmos numa poca relativamente inicial do estudo da crianca e do adolescente, temos mais perguntas 
do que respostas a oferecer. 
Isto poderia ser desalentador, no fosse o grande nmero de pesquisas prticas e tericas em curso atualmente e que tm 
caminhado, a nosso ver, basicamente no mesmo sentido: o de reunir os conceitos apresentados por cada modelo terico 
numa viso global do desenvolvimento; o de extrair de cada modelo os conceitos fundamentais para se concluir que, longe 
de se contrapor, eles se completam. 
Exemplificando: na primeira etapa da vida denominada fase oral por uns, perodo sensrio-motor por outros, ou ainda 
infncia inicial por terceiros, as caractersticas, tarefas e aquisies a que se referem so basicamente as mesmas. A 
diferena est mais no enfoque. na teoria e na tcnica do que no comportamento observado, E, obviamente, a criana  a 
mesma, quer seja vista por um psicanalista, por um cognitivista ou por um terico da Aprendizagem Social. 
Somos da opinio de que uma mente inquieta  aquela que mais tem oportunidade de crescer, de se desenvolver e de se 
aprofundar. Assim sendo, esperamos ter provocado, neste volume inicial, dvidas bsicas no leitor, que sero esclarecidas  
esperamos  nos volumes seguintes. Isto porque, como tentaremos demonstrar quando expusermos mais detalhadamente 
cada fase do desenvolvimento, o exame minucioso das vrias propostas tericas levar o leitor  formulao de uma idia 
bsica e integrada deste to maravilhoso e por isto mesmo to complexo processo  a evoluo de um ser imaturo, 
dependente, incapaz de garantir a prpria sobrevivncia para um indivduo autnomo, inteligente, maduro e. se possivel. 
bem adaptado a seu ambiente social. 
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Rappaport, Clara Regina (Coord.) 
Adolescncia 
Abordagem psicanaltica 
180p., formato 14 x 21 cm ISBN 85-12-60470-O 
A adolescncia  um conceito historicamente determinado, um fenmeno da modernidade, que 
atinge o jovem do ocidente por ocasio da ecloso da puberdade, quando, por falta de dispositivos 
em geral presentes nas organizaes societrias pr-modernas ou no ocidentais, a passagem da 
criana ao jovem adulto se tornou problemtica. 
As mudanas subjetivas que o indivduo tem que operar para dar conta das metamorfoses corporais 
e das novas exigncias sociais so abordadas neste livro, escrito por psicanalistas experimentados 
tanto na clnica quanto no ensino. 
Sumrio: Introduo. Sobre o lugar da adolescncia na teoria do sujeito. Aborrecncia. Anlise 
com adolescentes. Adolescncia, amor e psicanlise. A adolescncia e o pai: 
Sigmund adolescente e a adolescncia em Freud. Algumas questes sobre a dvida profissional do 
adolescente. Introduo a uma abordagem psicanaltica da questo das drogas na adolescncia. 
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